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este blog é como um laboratório, aqui pretendo lançar minhas duvidas, inquietações, buscar ouvintes e estabelecer diálogos para muitas coisas que fervilham dentro de mim .Não me preocuparei com precisão formal, construção gramatical pois isso limitaria minha expressão mas as criticas e revisões como doação serão sempre bem recebidas. Pretendo ter interlocutores e que aqui seja um espaço de troca de idéias, desabafos, e também de reflexão, criação de caminhos possíveis, alternativas de ação, adiamentos necessários e ensaios do agir.

quinta-feira, 4 de maio de 2023

obesidade: tem escolha?

A obesidade é uma realidade para um grande número de pessoas ao nosso redor e um fantasma que aterroriza todo o resto, podemos dizer com certa dramaticidade. Sabemos que é uma doença multifatorial e que cada obesidade é unica e nela intervém em doses diferentes, aspectos genéticos, psicológicos e ambientais.
Alguns casos de obesidade se enquadram dentro das “doenças psicossomáticas” e implicam a articulação de um conjunto de fatores : predisposição somática que depende da herança e da constituição , e na historia de vida deve ter ocorrido algum tipo de desproteção materna, provocando sentimentos de abandono e de frustração afetiva.(Fenichel)
A privação, a carência ou, a contrário, a “hipergratificação” determinam que certas catexias libidinais se fixem num órgão. Este seria o caso, por exemplo, de crianças que sofreram restrições na fase oral, sob a forma de ausência, dificuldades, ou interrupções abruptas e traumáticas no aleitamento; ou, por outro lado, que tiveram este processo excessivamente dilatado, recebendo gratificação oral por três, quatro, ou até seis anos; ou ainda, o processo foi de certa forma “pervertido”, com excesso na quantidade de mamadeiras. Assim, fica estabelecida uma predisposição psicossomática que pode desencadear-se em afecção, quando agem sobre ela situações traumáticas, críticas ou frustrantes, que fazem reviver na pessoa o primitivo abandono.
Nos transtornos somáticos, a necessidade de que as emoções em conflito (sentimentos de rejeição ou de desamparo, carência etc) não cheguem à consciência se consegue através do deslocamento para o corpo do afeto não simbolizado. A descarga se produz igualmente, mas o afeto não é reconhecido,é percebido pela consciência, como uma alteração somática desprovida de significação emocional.
No início da vida, a satisfação das necessidades depende das pessoas que cuidam da criança . Tudo que ameace este vinculo é um perigo e deve ser afastado. Nesta primeira relação pré-verbal, o caráter e as exigências da mãe, seu grau de sensibilidade às necessidades da criança, determinam em cada caso, que atividade mental ou que comportamento é indesejável e deve ser suprimido. A comunicação primitiva pré-verbal se estabelece através do corpo. A criança usa essa linguagem para fazer conhecer suas necessidades e a mãe para comunicar-se com seu filho. Esta linguagem corporal se reativa no adulto quando experimenta emoções que o corpo expressa normalmente, chorar por ter pena, rir por alegria, enrubescer por vergonha, ficar pálido de medo. Ao nascer uma criança se relaciona com o mundo através da mãe que é também a interprete das demandas vindas do meio exterior.
A criança que futuramente se tornará psicossomatica, foi privada desde cedo do contato emocional que necessitava. O filho desde bebê é o encarregado de acalmar a ansiedade materna e de satisfazê-la. Estas mães apresentam um sério fracasso para compreender as necessidades de amor e de descarga de ansiedade e de agressão em seus filhos, assim como para graduar suas próprias exigências de acordo com as possibilidades reais dos mesmos. Diante das situações de ansiedade dos filhos bebês, estas mães sentem-se impotentes e tendem, a associar o choro a situações concretas tais como fome, sono ou dor, pois estas situações lhes permitem apelar a recursos práticos( alimentar o bebê dando-lhe o seio ou a mamadeira, por exemplo ) que aliviam a sua própria ansiedade. Quando o bebê cresce, tende a resolver cada crise evolutiva, com modificações práticas. Estas soluções são reflexo da incapacidade familiar para conter os problemas emocionais e formam na vida adulta, a base da intolerância para aceitar seus próprios conflitos, ansiedade e temores.
Muitas pessoas com problemas de obesidade foram bebês atendidos em suas necessidades corporais básicas, mas sem gratificação dos aspectos emocionais envolvidos.A mãe das crianças com problemas alimentares, muito freqüentemente, privou de significado as expressões emocionais do filho ou distorceu o significado dessas expressões. Isso levará o bebê, no futuro, a ter dificuldades para entrar em contato com suas próprias e reais necessidades ou o levará a associá-las a uma conduta distorcida, substituta, por exemplo comer. É o caso de pessoas que diante de qualquer ansiedade não conseguem discriminar o que as inquietam, qual a sua real necessidade e respondem de forma indiscriminada com a comida. A incapacidade materna para decodificar as ansiedades do bebê unida à pressão que exerce para bloquear as manifestações de ansiedade do bebe, confirmam para ele suas fantasias infantis onipotentes sobre a destrutividade de seus impulsos hostis, de sua voracidade e inveja. Essas crianças necessitarão de recriar sempre um estado de fusão simbiótica para evitar a noção de diferenciação e a conseqüente ameaça de perda. Mais tarde, sempre que em situações de risco ou desequilíbrio, necessitarão se sentir cheias de alimento para recriar o estado fusional. São as funções maternas que criam as condições tanto para a criança confiar na presença real da mãe como para, logo depois, suportar a noção de diferenciação e a gradual individuação e suportar as ausências, tomar consciência de si, de seus desejos e aprender a providenciar o que necessita.
O estudo de alguns sentimentos humanos nos ajudam a compreender melhor a psicodinâmica da obesidade: são eles a inveja, a voracidade e a gratidão que muitas vezes se confundem..
A inveja é o sentimento de raiva em relação a uma outra pessoa que possui e desfruta (ou imaginamos que sim) de algo que desejamos. O sentimento invejoso é querer tirar isto dela, espoliá-la daquilo que ela tem e almejamos. A inveja implica a relação do indivíduo com apenas uma pessoa, a qual invejamos. Por isso, dizemos que ela remonta à mais primitiva relação exclusiva com a mãe.
“A inveja é um sentimento de cólera que o sujeito experimenta quando percebe que o outro possui um objeto desejável, sendo sua reação a de apropriar-se dele ou de destruí-lo. Além disso, a inveja supõe a relação do sujeito com uma única pessoa, remontando à primeira relação com a mãe....É o sentimento de ira por outra pessoa possuir e usufruir algo desejável, sendo o impulso invejoso de retirá-lo ou estragá-lo.”( Melanie Klein)
Devido à intensa dificuldade de aceitação em si dessas emoções, a inveja é muitas vezes camuflada, pois o sujeito lança mão de mecanismos de defesa inconscientes, para não se confrontar com tal emoção.( desvalorização do objeto invejado, negação, projeção, introjeção,idealização )
O sentimento de inveja é tão destrutivo que o indivíduo não consegue usufruir a vida, nem seus momentos de prazer e de alegria. Ele se sentirá sempre espoliado, explorado, não conseguirá obter prazer e felicidade na vida , nem conseguirá criar vínculos com as pessoas, porque elas serão sempre consideradas as culpadas por ele não alcançar aquilo que almeja. Além disso, a inveja dirigida ao outro tenta, no fundo tenta destruí-lo, deseja a sua morte, porque para o invejoso outro é o culpado por não obter o que deseja.
O ciúme baseia-se na inveja, mas envolve uma relação com pelo menos duas pessoas e refere-se ao amor que o sujeito sente como lhe sendo devido e que lhe foi tirado, ou se acha em perigo de ser tirado ou roubado pelo seu rival. O ciúme também tem suas origens nas primeiras relações da criança com seus pais e parece se dar na vivência edípica, quando a criança sente ciúmes do pai ou da mãe por eles se amarem, constituírem-se como casal, se acariciarem, dormirem juntos, e ela sentir-se excluída da relação do casal.
A criança do sexo feminino sente ciúmes, geralmente da mãe, porque ela obtém o amor e o afeto do pai, que a criança gostaria de obter. Ela gostaria de ocupar o lugar da mãe, por isso tem ciúmes dela. Já o menino tem ciúmes do pai, porque gostaria de ocupar o seu lugar junto à mãe.
A voracidade é uma ânsia impetuosa e insaciável que excede o que o indivíduo necessita e também o que o objeto se acha capacitado e disposto a dar. O indivíduo voraz é aquele que tudo quer e tudo deseja, e, mesmo tendo obtido aquilo de que se dizia necessitado, não se encontra satisfeito, nem mesmo momentaneamente. O indivíduo voraz é aquele que sempre considera pouco aquilo que obtém, sempre acha que mais lhe é devido, e que o outro retém algo que deveria pertencer a ele próprio.
A inveja e a voracidade são dois sentimentos que, muitas vezes, andam juntos. E também a voracidade tem suas origens nas primeiras relações com o seio materno e com o alimento.
Voracidade é, inicialmente, um desejo de incorporar, engolir, comer algo. Comendo e engolindo, o objeto passa a fazer parte do sujeito, torna-se incorporado a ele. Por isso é que a voracidade relaciona-se com o alimento. Mas ela extrapola o objeto alimento, e o indivíduo voraz pode ser insaciável de vários outros objetos - dinheiro, riqueza, beleza, presentes etc.- que correspondem, ao leite e ao alimento dado pela mãe.
Se a mãe for adequada, afetiva e der alimento suficiente e bom para o bebê, provavelmente ele será uma criança e um adulto sadio, que saberão lidar com suas faltas e com suas incompletitudes de maneira saudável. Significa que todos somos seres em falta, sempre desejaremos algo, nunca nos sentiremos inteiramente satisfeitos ou completos. Contudo, é isso mesmo que nos dá vida e motoriza nossa vida humana, que nos faz trabalhar, estudar, escrever livros, namorar, viajar, casar, emagrecer, ou mesmo engordar.
O ciúme faz o individuo temer perder o que tem; já a inveja é sofrida por ver o outro possuir o que ele não e que deseja para si. O invejoso passa mal com a vista da fruição. Aquele que se mostra afortunado, mostra-se de bem com a vida e satisfeito com o que possui, tanto em termos de bens materiais como imateriais, é fonte de grande mal-estar por parte do invejoso. Ele sente-se à vontade apenas com o infortúnio dos outros; todos os esforços para satisfazer um invejoso são vãos.
Podemos dizer que a pessoa muito invejosa é insaciável, que nunca pode ser satisfeita porque sua inveja se origina de dentro e, portanto, sempre encontra um objeto sobre o qual pôr-se em foco. O sentimento da inveja vai originar um outro, mais corrosivo, que é o sentir-se ameaçado ou invadido pelo outro.
Esta é uma formação reativa, no sentido de que aquilo que o invejoso deseja do outro, ele passa a sentir que é o outro que deseja dele, e, assim, desenvolve um sentimento persecutório, uma paranóia, achando que são as outras pessoas que desejam espoliá-lo e destruí-lo por desejarem o que ele tem. Contudo, analisando a fundo a situação, veremos que é o próprio indivíduo paranóico a origem do sentimento de inveja.
A criança pequena não se lembra desses sentimentos mas desejou muito ter o que a mãe tinha. Primeiro, o leite, que é considerado fonte da vida, do prazer, da alegria, riqueza indescritível, que a criança pensou ser exclusiva da mãe. Depois, desejou também possuir outros objetos que a mãe possuía, entre eles, o pai, os outros irmãos, bebês, o amor dos pais e das pessoas, a beleza. As primeiras relações do bebê com sua mãe são o período mais importante para a formação da personalidade do indivíduo, e é também o período que funda as bases de nossos sentimentos e nossa conduta em relação ao mundo que nos cerca, o que inclui os alimentos e todo o sentido que damos a eles e às refeições.
. A inveja nasce de um profundo sentimento de admiração por algo que o outro possui. “Invejar é uma forma aberrante de prestar homenagem à superioridade .” ( José Ingenieros ).
A inveja pode ser benigna ou patológica. Na inveja benigna, há o desejo de adquirir o que o outro possui, mas por meio de um esforço próprio, estimulando, assim, a competitividade e não a destrutividade. Nestes casos, a pessoa deseja também para si algo bom, e quer provar que ela também é capaz de obter isso. Não envolve, pois, intenções hostis ao objeto da inveja. A pessoa invejada passa a ser mais um modelo a admirar, que estimula a imitação de seus métodos e a procurar obter o que ela possui.
A inveja benigna reforça a canalização de qualquer ressentimento e o transforma em atividades legítimas, promovendo um modelo de comportamento que deve ser seguido.
Na inveja patológica o que se quer não é ter o que o outro tem, mas, sim, destruir as posses, qualidades e bens, que, sendo do outro, despertam raiva e hostilidade. A pessoa pode ter recursos e, poderia, potencialmente, obter o que o outro tem, mas a simples visão das posses do outro, faz com que ela se sinta desvalida, sem posses e atormentada pelos sentimentos de inveja.
A gratidão é um sentimento de agradecimento, de boa vontade, de amor e de desejo de retribuição em relação àquele que é sentido como o provedor das necessidades da criança. Relaciona-se, assim, com a generosidade. Quando a criança é suficientemente satisfeita pela mãe, ela sente prazer na relação (amamentação, toques, cuidados) e, daí, vem a gratidão no lugar da inveja. A gratidão se configura como um aspecto do que chamamos de pulsão de vida, de impulsos amorosos.
A gratidão relaciona-se com a generosidade. A criança bem amada desenvolve uma riqueza interna que a torna capaz de partilhar seus dons com os outros. Esta criança se desenvolverá, geralmente, de maneira positiva, saudável, formando vínculos afetivos e duradouros com os que a cercam.
O alimento tem uma importância primordial nas primeiras relações de um bebê humano com a mãe. O seio tem não só a finalidade de nutrí-lo, mas também, a de auxiliar no estabelecimento dos primeiros vínculos do bebê com uma outra pessoa: a mãe. Esses primeiros vínculos com a mãe são a base para outros vínculos que a criança e o adulto estabelecerão com outras pessoas no decorrer de toda a vida. O bebê precisa tanto desse contato afetivo como precisa do alimento, do leite materno. A inveja e a voracidade, por um lado, e a gratidão, por outro, seriam expressões de impulsos destrutivos e amorosos, respectivamente, para com a mãe e seu seio nutridor. O modo de resolução dos primeiros impulsos para com o seio e para com a mãe influencia decisivamente o desenvolvimento normal e anormal da criança, e também a formação de seu caráter.
Dentro da díada mãe/ filho, a mãe que fala por seu filho indefeso, cheio de necessidade, oferecendo-se para suprir suas carências, preenche o bebê e ele a ela. Nesta complementaridade, o recém nascido traz como dote e bagagem uma matéria prima - energia psíquica, a pulsão - não processada nem elaborada, que passará por um processo de transformação, entrando no circuito da produção simbólica. O bebê vai adquirindo assim representações do vivido: o prazer e o desprazer. Estes significantes, prazer e desprazer é que permitirão ao bebê, discriminar as experiências que tem.
A inveja dificulta o processo de instalação duradoura do bom objeto, pois o bebê sente que a gratificação de que foi privado foi conservada pelo seio frustrador para si próprio. A inveja é, pois, o sentimento zangado de que a outra pessoa tem esse algo desejável para si. É o seio idealizado que a inveja ataca. É como se o bebê pensasse que quando o seio o frustra, torna-se mau porque guarda o leite, o amor e o carinho associados com o bom seio só para si. O seio que satisfaz também é invejado. A voracidade é uma ânsia impetuosa e insaciável que excede o que o sujeito necessita e o que o objeto tem vontade e capacidade de dar. O propósito da voracidade é a introjeção destrutiva, introjetar o objeto para destruí-lo, devorá-lo.
A mãe suficientemente boa é aquela que satisfaz adequadamente as necessidades da criança. Ela vai, gradativamente, introduzindo o que chamamos de princípio da realidade, isto é, vai adiando, aos poucos, a satisfação das necessidades da criança para que ela aprenda que o mundo e a realidade não podem satisfazer constante e imediatamente suas necessidades e seus desejos. Isso é chamado de binômio gratificação-frustração que a mãe introduz na vida infantil.
À medida que a criança cresce, ela suporta por mais tempo a frustração ou a não- satisfação imediata de suas necessidades. Assim, ela estrutura o seu eu, amadurece, aceita os limites e os obstáculos que a realidade lhe impõe sem sentir-se magoada, espoliada ou ameaçada. A criança aprende que suas necessidades e desejos não podem ser satisfeitos imediatamente. Aprende a esperar e a adiar a satisfação. Ela torna-se mais adaptada à realidade e mais tolerante às frustrações. Através da relação com o mundo externo, primeiro com a mãe, e depois com outras pessoas e coisas, a criança vai constituindo o seu eu, adaptado ao mundo e à realidade externa.
Contudo, se a mãe ou aquela que exerce a função materna não satisfaz adequadamente as necessidades do bebê, ela é sentida por ele como se estivesse retendo o alimento.É sentida como má, como alguém que deseja o aniquilamento e a morte do bebê , pois não lhe dá aquilo de que ele necessita para viver.
A mãe é também percebida, como alguém que guarda para si aquilo que tem de bom, que é o alimento, fonte da vida. Essa vivência é a base de todo um sentimento de inveja que o sujeito terá .A criança introjetará os aspectos negativos da mãe; ela assimilará uma mãe má, um seio mau, aquela que não dá o alimento necessário para a criança, aquele seio que não lhe dá o leite de que ela precisa. Estes aspectos negativos introjetados formarão o núcleo do eu da criança. Já se o seio é bom, se a mãe é boa, adequada, afetuosa, se nutre suficientemente, a criança introjetará esses aspectos positivos, predominantemente.
O sujeito que introjeta predominantemente os aspectos positivos e amistosos da mãe e do mundo externo sente-se enriquecido e com maior capacidade de dar e doar-se, maior gratidão e mais capaz de amar. Será o indivíduo generoso, desprendido e amado, porque capaz de amar.
O sujeito que introjetou os aspectos negativos e egoístas da mãe e do mundo externo sente-se empobrecido, roubado, ameaçado e perseguido quando, em alguma circunstância, tem de dividir ou dar algo de si. Tornam-se pessoas inseguras, agressivas e consideram sempre que o outro é que está a solapar algo dele. A inveja excessiva acaba por levar a sentimentos de culpa. O indivíduo sente-se culpado porque desejou despojar o outro dos bens materiais e não materiais que ele possui, portanto, desejo agredi-lo, destruí-lo.
A inveja é destrutiva quando o indivíduo cobiça o que é do outro e cobiça, ao mesmo tempo, prejudicá-lo, espoliá-lo, destruí-lo. Ela é construtiva quando a inveja move o sujeito a buscar por sua própria conta, de maneira construtiva, aquilo que o outro tem, para ele, sem tirar o que é do outro.
A inveja constitui fonte de grande infelicidade e uma relativa liberdade dela é sentida como subjacente a estados mentais de satisfação e tranqüilidade, em outras palavras, de sanidade.
Aqueles que sentem haverem tido a sua quota de experiência e de prazeres na vida tornam-se mais aptos a serem felizes e de acreditar na continuidade da vida. Assim, tornam-se mais aptos à criação e à invenção de novas coisas, novos objetos, novas possibilidades, novos projetos, enfim, de nova vida, que é o contrário da compulsão de comer, do engordar e da obesidade.

terça-feira, 11 de abril de 2023

Como.lidar com as mentiras das criancas

 TEMAS  SEMPRE QUESTIONADOS PELOS PAIS: como lidar com a Mentira na infância: 


Educar é uma missão quase impossível, se primarmos pela excelência e pelo ideal, mas é nossa tarefa e expressão de nosso amor, educarmos e criarmos nossos filhos para viverem bem na sociedade, de forma ética, civilizada e tentarmos incutir em sua formação os valores e hábitos que sabemos serem saudáveis e propensos para preparar lhes melhor para o mundo. A cada dia um novo desafio,

Lidar com as primeiras mentiras de uma criança faz parte das dificuldades que enfrentamos desde a primeira infância, e temos de ficar atentos ao período de desenvolvimento da criança para  nos orientarmos quando as nossas condutas. 

É claro que é que diferente uma mentira de uma criança de, 2, 3, 4, 6, anos e de uma criança na segunda infância ou mesmo adolescência. Vamos nos ater aqui a primeira infância, assunto que chega sempre a minha clínica. 

 Muitas vezes os pais não sabem como reagir a isso, tentando compreender o que motivou a criança a mentir, e adotando reações impulsivas, que vão desde aplicar castigos , e a atribuir estigmas de mentirosa à criança. Temos de lembrar que a criança pequena de 2 a 4 anos ainda tem uma visão mais fantasiosa da realidade, não desenvolveu uma percepção crítica dos seus próprios atos, não discrimina muitas vezes fantasia da realidade, mas a partir dessa idade, sabemos também que ela fala que é Batman, veste-se como Batman, mas não tenta sair voando. Ou seja, estamos falando de crianças saudáveis mas que ainda podem ter dificuldade de separar fantasia da realidade ou querem persistir no mundo da fantasia e nesse caso, temos de nos perguntar por que?

A infância é uma fase de descoberta, quando a criança começa a testar e entender o que ela almeja e o que deve fazer para conseguir aquilo. É nesse período, também, que ela percebe os níveis de interação com cada pessoa de seu convívio – pais, professores, colegas de classe etc. Apesar das regras de convivência serem as mesmas, existem detalhes que diferenciam cada relação. E é nessa fase de “teste” que a mentira pode surgir.

Apesar de ser normal e fazer parte do desenvolvimento da criança, é preciso atentar-se à intensidade e à frequência da mentira. Quando ela começa a mentir em excesso ou sempre que um determinado assunto surge, é um sinal de que há algo errado, e ajuda de especialistas deve ser procurada.

Quando estamos falando de crianças até os 4, 5 anos, é comum que os pais e mães confundam quando a criança está mentindo ou fantasiando. A fantasia é  inconsciente, a criança não sabe que o que está dizendo não é real. Já a mentira, por mais rasa e frágil que seja, é pensada. No caso de crianças mais novas, a mentira também pode representar uma certa confusão entre realidade e imaginação. Ou seja, a mentira aparece como uma resposta para algo que os pequenos ainda não entendem ou que interpretaram errado. 

É importante que o adulto saiba distinguir as duas situações para não correr o risco de criar o estigma de mentirosa para uma crianças fantasiosa, criativa, que ainda utiliza da fantasia para conseguir ir diferenciando o real e o imaginário e para lidar com seus desejos e aceitar os limites.  A partir dos seis anos, as crianças já distinguem o real da fantasia, mas conseguem brincar com a fantasia e criar, conscientemente, situações imaginárias.

Assim, é muito importante  estar atento(a) e observar com cuidado se as mentiras contadas pelas crianças são intencionais ou não. Em seguida, é preciso compreender os motivos que levaram a criança a mentir. Afinal, as mentiras podem ser formas de esconder angústias, frustrações ou medo, formas de evitar fazer coisas que não gosta, não quer , tem dificuldades, ou para se livrar de responsabilidades, São tantos os motivos assim como  com, nós adultos. .

Além disso, a criança que mente pode estar apenas reproduzindo o comportamento dos adultos ao seu redor. Por isso, é preciso lembrar a todo momento que nós somos espelhos, já que os pequenos tendem a copiar aquilo que aprendem e observam com os pais, mães e outros responsáveis.

O ambiente familiar  tem pois  grande influência na relação com a mentira. Se a criança está acostumada a ver os pais mentindo em situações pequenas – como pedir para criança dizer que não tem ninguém em casa quando o telefone toca -, ela assimila que aquela atitude é natural e aceitável. Por isso, os adultos devem ter atitudes coerentes com o discurso de aversão à mentira, servindo de exemplo. Como adultos sabemos diferenciar as situações que podem nos levar a decidir mentir por razoes praticas , mas é complicado quando crianças pequenas  convivem sem ter condições de uma longa conversa quando poderíamos explicar os motivos  daquela “ falta de verdade” e  eles teriam de já estar maiores para compreender nossos motivos.

“Aquela história dos pais estarem afinados no que vão falar aos filhos, no que vão permitir ou não, se vão apoiar o parceiro nas decisões tomadas perante as crianças é fundamental.

Cada criança é um ser único, e tem sua própria história que cria o contexto dentro do qual cada ação sua deve ser compreendida, contudo tendemos a considerar como mentira, uma conduta intencional a partir dos sete anos, quando a criança já adquiriu noções de valores sociais e sabe exatamente a diferença entre verdade e mentira e quando a mentira pode prejudicar o outro.

Por que crianças pequenas furtam pequenos onbjetos e como lidar com a situacao

 POR QUE CRIANÇAS PEQUENAS “FURTAM” OBJETOS??


Hoje me perguntaram sobre os motivos que levam uma criança de 4, 5, 6 anos a furtar objetos na escola, sendo que são crianças de classes favorecidas tendo materialmente tudo que necessitam. Os pais ficam desesperados, envergonhados, mas não podem tampar o sol com a peneira nem deixar de agir. Cada criança é um ser único, com sua historicidade e não podemos atribuir uma causa única para os sintomas. Mas não podemos deixar de tentar compreender o que a criança está tentando comunicar com essa ação de apropriar-se de objetos dos outros. Falta de limite, excesso de liberdade? carência afetiva, fragilidade dos limites impostos pela família, abandono? são várias as hipóteses e a história de uma criança especifica é que nos indicará o caminho a seguir. Precisamos ouvir os pais, saber da história, da biografia dessa criança. Como é o ambiente familiar, como são os laços afetivos entre as pessoas, aconteceu algo recentemente na família que pode ter aumentado o nível de tensão? nascimento de um irmão, separação do casal? Perda de algum membro familiar? 

 É claro que temos de levar em conta a idade da criança Uma criança de 2, 3 anos, quando quer muito algo para si, pega à força, diz “é meu” e se recusa a devolver, é uma conduta normal que expressa o desejo dela de ter algo que gostou e o fato de ainda não ter distinção do que “” é o meu, o seu”, a distinção eu e o outro. São nessas situações que o ambiente deve interferir dando essas noções para a criança mostrando que compreende o desejo dela, mas que aquele objeto não é dela. A noção de propriedade começa a ser formada a partir dos 4, 5 anos, mas até os 7 anos muitas crianças ainda não têm totalmente interiorizado, o respeito pelo outro, o que inclui separar eu e o outro, o dele e o meu.  Esse relativo atraso na aquisição está ligado à cultura familiar. A partir dos 6, 7 anos as regras são estabelecidas em mantidas por um acordo social, o que já salienta a importância do meio que a criança vive pois será esse ambiente que terá de passar para a criança esse pacto social, não pegar o do outro, se pegar devolver, etc. A criança ainda é muito egocêntrica e tem dificuldades de discernir certo do errado. Muitas vezes a criança já tem a noção do que é certo e errado, o que é meu e o que não é, mas por carência afetiva quer chamar atenção sobre si, e podem furtar objetos na escola, na casa de parentes como uma expressão dessa carência e também como um pedido de atenção:" olhem para mim, vejam o que eu estou fazendo”. Como o verdadeiro objetivo não é apoderar-se de um objeto e sim receber atenção, carinho, compreensão e olhares mais atentos sobre ela, não alcançando esses objetivos os furtos podem continuar pois não preencheram os objetivos e a falta e o vazio continuam. Os furtos funcionam como uma compensação pela falta de aceitação e afeto por parte dos pais, essas situações podem ser precipitadas pelo nascimento de um irmão, a separação dos pais, novo casamento de um dos pais, saída de casa de algum membro com quem era muito ligada (baba, avos, irmã) e se sente desamparada, e com o sentimento que lhe tomaram algo que ela precisava e sente que o mundo está em débito com ela.

Mande suas dúvidas e comentários.

A mae/bebê e o pediatra

 A MÃE/BEBÊ , A FAMILIA E O PEDIATRA

Maria luisa  Salomon  CRP 04/0546

Hoje não é 27/7 dia do pediatra, mas senti um grande apelo em falar da importância desse profissional para os seres humanos e de estimular aos pais que levam seus filhos ao pediatra a aproveitarem mais e mais dessas consultas, das orientações recebidas e que se levem também à consulta junto com seus filhos. O que eu quero dizer com isso?

No início da vida não existe o bebe e sim a dada mãe/bebe, não dá para querer separar o que está unido e assim deve permanecer por alguns meses. Ou seja, como falar de um bebê sem ouvir e tentar compreender a mãe?  A figura paterna não tem essa ligação uterina e antiga com o bebe, mas é importantíssima para dar o suporte emocional afetivo que a mãe necessita para cumprir com tantas demandas que a maternidade traz. Contribuir com a mãe para que ela tenha maiores recursos no desempenho e aprendizagem de sua função materna, é a melhor contribuição que um pai pode dar a um filho nesse inicio de vida. Desde a gestação a mãe teve várias dúvidas, buscou informações, mas agora com o bebe real consigo e totalmente dependente de seu apoio e acolhimento é natural que além das dúvidas haja também muita ansiedade, medos, inseguranças, estados depressivos. O pediatra é extremamente importante para auxiliar a mãe no início da vida fora do útero do bebê. São inúmeras as dúvidas que surgem nesse período. O que fazer se o bebê não mama? E se tiver cólicas, febre, intestino preso, soluços?

É importante frisar que alguns pais procuram o pediatra antes de o bebe nascer e essa é uma ótima pratica pois além de já conhecer o profissional pode tirar dúvidas sobre os primeiros dias de vida do bebe (pré natal pediátrico.

É de reconhecimento geral a importância dos 5 primeiros anos de vida de uma criança para o desenvolvimento global do ser humano e que as estruturas mais importantes que a acompanharão para o resto da vida estão sendo formadas e desenvolvidas nessa época. Se estes e outros problemas relacionados ao desenvolvimento são afetados por efeitos epigenéticos na primeira infância, podemos concluir que uma intervenção inicial poderia prevenir ou mesmo reverter. mesmo que parcialmente, o processo de muitos tipos de doenças.

Sabemos que, assim como a herança genética, os cuidados no início da vida são determinantes para o desenvolvimento humano com efeitos sobre a aprendizagem escolar e sobre a saúde física e mental por toda a vida

Como lidar com as mentiras na infancia

 COMO LIDAR COM AS MENTIRAS NA INFANCIA


Continuando nossa exposição sobre a mentira vamos tecer considerações sobre como lidar com nossos filhos nessas situações.

Educar com respeito, honestidade e carinho é uma tarefa muito , muito difícil, mas compensa. Para construir uma relação de confiança com seus filhos aposte nas verdades e em muitas conversas, No dia a dia fique atenta para priorizar a verdade e não temer frustrar seu filho. Por Ex ao invés de dizer na volta a gente compra! semana que vem eu compro, diga:  Essa compra não é uma prioridade para nossa família agora, mas você pode pedir esse brinquedo de presente no seu próximo aniversário. Que tal?

Ao conversar com os filhos diante de uma mentira, esteja calma e se não estiver deixe para depois a conversa. A criança poderá se sentir ainda mais insegura e amedrontada se os adultos estiverem nervosos ou agitados. E, com esse clima, ela certamente terá mais dificuldade para assumir a mentira. Então, mantenha sempre a calma. Inclusive, se puder, se afaste e lide com a situação somente quando você estiver mais tranquilo(a), 

Ao perceber que a sua criança está mentindo, fale abertamente sobre o assunto. Por exemplo, se os pais sabem que seu filho não fez a tarefa da escola, em vez de perguntar Você fez a lição de casa?, podem dizer Vi que você não fez a lição de casa. O que acontece,

Explique as consequências de não falar a verdade e a importância da confiança, assim como se você mentisse que não vai trabalhar e saísse escondida, como ele se sentiria? A verdade nem sempre é boa, e poderá ser bastante diferente daquela que você gostaria de ouvir. Crie situações para que a criança compreenda que uma verdade pode doer na hora, mas é muito melhor do que a mentira e suas consequências, no caso dos pais mostre que seria mais fácil para vocês mentirem para eles muitas vezes, mas que ele perderia sempre a confiança em voce, sempre pensaria se o que você falou  é verdade e ficaria inseguro. E se mentir, converse sobre isso, assuma seu erro. 

Pouco a pouco, de caso em caso, histórias infantis, filmes, eventos do cotidiano, ações de outras pessoas vamos podendo ensinar para as crianças sobre as consequências das mentiras. Explique, por exemplo, que mentir não é legal e que pode magoar os outros. Já para as crianças mais velhas, você poderá dizer que a mentira abala a confiança e afeta o relacionamento entre as pessoas.

Evite punições na infância e tente dar a criança a oportunidade de corrigir e reparar um erro A possibilidade de reparar um erro é muito mais eficiente do que um castigo.  E a reparação vai contribuir de maneira positiva para o amadurecimento emocional da criança, mostre que todos erramos até aprender e que é um processo que dura a vida toda., 

Ajude seus filhos a pensar em outras possibilidades em vez de mentir, tentando buscar soluções, e formas de resolver os conflitos, nem sempre conseguimos, mas sempre devemos tentar. 

O primeiro passo é dialogar. A criança precisa saber que está em um ambiente seguro para compartilhar ideias, vontades e pensamentos sem julgamentos. Precisamos estar abertos para realmente ESCUTAR sem julgamentos, ouvir mesmo o que a criança consegue dizer sobre a ação dela. Qualquer um que antecipar críticas, castigos punições, terá dificuldade em se expressar verdadeiramente em qualquer idade.  Conversar é falar e escutar e não apenas falar sozinho para o outro apenas ouvir, fazer discursos, querer em meia hora dar uma aula de vida sobre a importância da verdade, esse não é o momento, essa é uma tarefa de vida toda, diária, e em doses as vezes homeopáticas. Fazer circular a palavra em casa é um exercício que visa também manter viva a dignidade de cada um.

Essa conversa aberta, essa nossa real capacidade de sermos empáticos, nos colocarmos no lugar da criança e tentar verdadeiramente compreender seus motivos é que irá criar uma abertura para que a criança se expresse naturalmente e verdadeiramente e para que o adulto possa entender os motivos daquela mentira. A partir dessa conversa ou conversas, é que será possível estabelecer juntos – ou explicar para a criança – os limites e regras de convivência. 

A postura de quem chama a atenção é mais importante do que a duração ou a intensidade do castigo. Falar sério, considerando a criança como um sujeito digno de seus direitos, é mais eficaz do que o prolongamento e a intensidade do castigo, que podem ser desproporcionais ao ato que o causou

Agora, se a primeira reação dos pais for bater ou repreender com castigos severos, a sensação de desconforto, sofrimento e desconfiança pode intensificar na criança, podendo levá-la a continuar mentindo ou mentir mais. Bater não deve ser considerado um meio educativo em nenhuma hipótese. Já os castigos não podem se prolongar além da capacidade de refletir sobre o assunto. O mesmo vale para as chamadas de atenção que, quando muito longas, se transformam em sermão e perdem a capacidade de manter a criança concentrada.

Cada criança é um ser particular, cada mentira é um caso especifico e a situação deve envolver todo o contexto. Mas é essencial criar um relação de confiança , não relacionar a mentira com a ideia de castigo, estar aberto a escutar sem interromper, dando a atenção que a criança demanda , ou deixando o papo para uma outra hora, tente suspender o julgamento ate compreender o todo da situação que motivou a mentira, mas mostre que os adultos em geral e os pais em especial, sabem quando as crianças estão mentindo , que já foram crianças, que entendem que crescer envolve fazer coisas que a gente não quer, tentar fugir de tarefas e responsabilidades. Nunca tenha essa conversa perto de outros filhos ou de outras pessoas mesmo do meio familiar, preserve e resguarde seu filho, nunca o ofenda, não o exponha nem rotule, apenas dialogue e proponha ajuda.

Crianças a partir dos 6 anos, podem mentir por medo de repreensões e castigos, para fugir das responsabilidades (como dizer que está doente só para não ir à escola, dizer que não tem dever de casa), para chamar a atenção dos pais ou para se sobressair entre colegas, para não desapontar alguém que  importante para ela, conquistar algo que deseja, para se proteger ou mesmo para ajudar outras pessoas.

O medo é um grande provocador de mentiras. Os pais devem estar atentos pois  mentir também pode ser um sinal de baixa autoestima. A pessoa mente por acreditar parecer melhor ou diferente do que é para ser aceita, pois não se sente boa o suficiente sendo como é. maneira como o adulto reage pode influenciar na relação com a criança e reforçar o ato de mentir. É preciso ter o manejo adequado e ficar atendo as razões que levaram a criança a mentir para poder ajudá-la a abandonar este comportamento.*Deve-se evitar a severidade excessiva nas punições.* Concentre-se nas soluções, as vezes a criança necessita de um repertório melhor de resolução de problemas.*Ensine que os erros são oportunidade de aprendizado, e não motivo para se envergonhar ou querer esconder.*Afirme o quanto a criança é amada, independente de seus comportamentos. Muitas crianças mentem porque temem que a verdade desaponte os pais.*Mostre para a criança que é seguro dizer a verdade e a reforce quando ela o faz. Use sempre a gentileza e o amor para lembrá-la.*Procure significados na mentira e converse com a criança sobre eles. A maioria das histórias, mesmo inventadas, pode ter um elemento de verdade.

As pessoas e os relacionamentos afetivos hoje

 Vivemos na atualidade uma época marcada pelo imediatismo, pelo egoísmo e o predomínio dos interesses pessoais perante a indiferença com o próximo. A sociedade atual é marcada pela instabilidade das relações, pelo empobrecimento de laços afetivos e pela ausência de referenciais, visto que os valores são constantemente consumidos e substituídos. O homem contemporâneo está sozinho, não há regras nem modelos a seguir. O imperativo é o princípio da autonomia e a doença do sujeito pós-moderno é a incerteza. As marcas da contemporaneidade estão envolvidas por uma crença de que tudo é possível, pois estamos diante de um esvaziamento da figura paterna  que funcionava como autoridade, lei, interdição. 

As formas de adoecer na contemporaneidade  englobam vários sintomas e não se enquadram de modo preciso e rigoroso em nenhum quadro estrutural específico. Os objetivos a serem perseguidos são frágeis e mudam com muita frequência. O mundo contemporâneo é recheado de interrupção, instantaneidade, incoerência, surpresa e permeado de estímulos que são constantemente renovados. Desta forma, “nossas instituições, quadros de referência, estilos de vida, crenças e convicções mudam antes que tenham tempo de se solidificar em costumes, hábitos e verdades ‘auto evidentes’” (Bauman, 2003, p. 06)., Cria-se uma fantasia de que os sujeitos devem ser autossuficientes, que devem enfrentar de maneira individual qualquer contratempo que a vida apresente: Se ficam doentes, supõe-se que foi porque não foram suficientemente decididos e industriosos para seguirem seus tratamentos; se ficam desempregados, foi porque não aprenderam a passar por uma entrevista, ou porque não se esforçaram o suficiente para encontrar trabalho ou porque são, pura e simplesmente, avessos ao trabalho; se não estão seguros sobre as perspectivas de carreira e se agoniam sobre o futuro, é porque não são suficientemente bons em fazer amigos e influenciar pessoas e deixaram de aprender e dominar, como deveriam, as artes da autoexpressão e da impressão que causam. Isto é, em todo caso, o que lhes é dito hoje, e aquilo em que passaram a acreditar, de modo que agora se comportam como se essa fosse a verdade (Bauman, 2001, p. 43). A consequência disso é que o homem contemporâneo se tornou mais frágil e sente-se mais impotente diante de tanta solidão. Toda e qualquer culpa, todo e qualquer fracasso recai sobre ele próprio e ele “tem que” dar conta de enfrentar as consequências imprevisíveis de tamanha liberdade sozinho, absolutamente sozinho. E é também só que ele vai sentir o peso da autocrítica e da auto reprovação. Sendo assim, o sujeito de hoje é deficitário e impotente diante da exigência da sociedade de que ele pode tudo. Mas e quem é o responsável por expulsar os limites do impossível, interditando esta fantasia resultante do discurso da ciência pós-moderna? Ora, o que nos faz tomar consciência de que nem tudo é permitido é a nossa capacidade de simbolizar a falha, a falta. Isto se dá através da internalização dos interditos paternos. A ordem simbólica á adquirida pelo representante paterno que vem pôr fim à onipotência narcísica, que vem mostrar que a plena satisfação não é possível e que insere o sujeito na ordem desejante. O pai entra na relação mãe-bebê, tornando-se o terceiro a fim de indisponibilizar a mãe como objeto de gozo absoluto. Roudinesco (2003) apresenta-nos uma desordem na família ocidental do século XXI. Esta nova forma de representar a família manifesta-se pela invasão impetuosa do feminino e pela posição fundamental e onipotente conferida à maternidade, o que acabou causando a derrocada do paterno, culminando na queda da autoridade do pai. Aqui a autora fala de uma restauração do matriarcado, em que as novas configurações conjugais e familiares da pós-modernidade referem-se necessariamente à independência da mãe da instância simbólica interditora, até então remetida ao pai.

A contemporaneidade é então marcada pela falta de limites. Os sujeitos sentem-se livres das limitações, livres para agir conforme os seus próprios desejos (é o princípio da autonomia que foi detalhadamente especificado acima). Não há mais limites à satisfação. Estamos na cultura do carpe diem, do momento, do imediatismo, numa intensa despreocupação com a duração das coisas. O que vale é o prazer imediato. Esta supervalorização do presente e produz a permanente busca por prazeres evasivos e fugazes que, assim que forem apreendidos, já escapam. O prazer é, então, assim como a contemporaneidade, fluido. Em oposição ao sofrimento, tem-se a concepção de felicidade, que é entendida como a ausência de sentimentos ruins e está ligada a emoções de curto prazo.

Tirando as Fraldas

 TIRANDO AS FRALDAS 


 NÃO existem REGRAS para desfraldar uma criança, cada criança é única, está inserida em um meio que é especifico dela, em uma determinada família e o bom senso tem de prevalecer, contudo quando dizemos isso não defendemos uma aceitação passiva da criança continuar usando fraldas, quando na verdade está madura para o desfralde.

 A criança precisa estar pronta física e emocionalmente para se iniciar o desfralde.  Não há uma idade precisa para este momento. Cada criança é única e vai estar pronta quando estiver. Algumas crianças estarão prontas logo após começar a andar, outras por volta dos dois anos, outras a partir de dois anos e meio ou mais. O desfralde prematuro, antes da criança demonstrar já estar com o equipamento neuro motor maduro, não é aconselhável, embora possa ser obtido por condicionamento, mas nesse caso, o principal ganho emocional do desfralde: a conquista da autonomia não é obtida, e como todo condicionamento só se mantem enquanto se mantiver o estimulo positivo ou negativo que foi associado, e isso ´não é uma atitude positiva nem favorece o desenvolvimento global da criança. Além disso o condicionamento precoce pode criar pontos de fixação anal e ser a base de futuras neuroses.

O HÁBITO acaba fazendo com que as crianças se acostumem com o fato de fazerem suas necessidades   na fralda. Para ensiná-los que o lugar certo do xixi e cocô é na privada, é preciso muita calma, paciência e conversa com eles, além de muita persistência. O ideal é passar por esse momento sem rigidez. “Não podemos estabelecer uma regra geral para a retirada da fralda dos bebês, uma vez que muitos fatores estão envolvidos na aquisição do controle esfincteriano, inclusive socioculturais .O momento para tirar esse hábito das crianças pode ser iniciado quando elas já andam, entendem as ordens verbais e preferencialmente começam a perceber que a fralda está suja, distinguem o xixi do cocô e conseguem chegar ao banheiro para eliminá-los. Isso ocorre em geral por volta dos 15 a 24 meses, a criança já fala, entende, conhece o vaso sanitário e é capaz de compreender ordens. Muitas   criancas sinalizam que estao querendo fazer o xixi ou  cocô e estes sao os momentos ideais pas de iniciar o treino   . O fato de manter a criança com fralda depois que começa a andar dificulta esse processo e pode retarda-lo, pois a criança que fica sem fraldas em casa durante o dia irá perceber e fazer associações mais rápido entre a sua necessidade de fazer xixi, por exemplo e ver o xixi molhando a roupa e o chão.

Se na época do treinamento acontecem fatores ambientais ansiogênicos como nascimento de um irmão, ida à escola, separação dos pais, morte na família, o treino ficará comprometido e poderá demorar mais. É necessário conversar com calma com a criança, despertar seu interesse, explicando que agora ela pode dizer quando quiser fazer xixi ou coco e usar a privada, não precisando mais de fralda. Ver outra criança ou mesmo adulto usando o sanitário nessa época pode ser positivo. 

A fralda diurna deve ser retirada primeiro, pois durante o dia os pais sempre acompanham as crianças e podem conversar com elas e receber o pedido para ir ao banheiro. O ideal é retirar a fralda noturna quando a criança conseguir ficar com a fralda seca à noite ou quando pede para ficar sem fraldas. 

É importante o uso de redutores de assento e ter um apoio para os pés da criança, ou optar pelo peniquinho. • Leve seu filho ou filha para escolher o penico e/ou adaptador para o vaso. Converse com a criança sobre a finalidade do penico ou vaso e coloque o penico no banheiro. É importante ressaltar como ela esta crescendo, se já consegue mandar no seu xixi e coco, e faze-los sair na hora combinada e quando eles quiserem.

Esse processo tem que ser feito aos poucos e não pode ser forçado pelos pais.  Se a criança começar a obter e tiver escapes é importante conversar com ela, tranquiliza-la e dizer que é natural isso no inicio e que depois de um tempo isso não mais ocorrerá, pois ela já estará mandando no seu xixi e cocô.

Nem todas crianças vão vivenciar um sentimento de perda significativo ao usar o sanitário, algumas se despedem do cocô, outras querem mostrar para a mãe, e geralmente ficam felizes e querem a retirada das fraldas quando estão prontas.O importante e der um eino natural sem tensao , brigas  em um clima de alegria por novas conquistas. Sei de  pais  e  profissionais que recomendam levar as crianças  o noite ao banheiro.Nso vejo necessidade  embora muitos  pais  façam isso  e obtenham  sucesso. Se   a criança ja esta acordando  com fraldas secas quase  sempre  ja  esta mostrando que tem amadurecimento para o controle e uma conversa  de satisfacao  e estímulo  pode ser suficiente .Depois da retiradada da fralda invista  na formação da  rotina para a " hora  do coco  pratica muito saudavel.Toda manha 10m no  vaso? Ou. a tardinha depois do lanche e antes do banho? O melhor horario vai ser escolhido pela  familia e  sem estresse. O importante é o ganho em  autonomia  e satisfação pessoal que seu filho ira adquirir.  


Erros frequentes

1. Ter pressa e não esperar o momento certo 

Não há um período exato para tirar a fralda da criança e é preciso esperar que ela mesma começa a sinalizar que quer ir ao banheiro ou que está incomodada com a fralda suja. Apressar esse momento pode, além de frustrar os pais, confundir a criança e provocar tensões nessa área. A partir dos 18 meses , quando a criança já tem mais consciência de seu corpo, os pais podem começar a preparar o desfralde.

2. Brigar se a criança não conseguir segurar à vontade

No período de adaptação sem fraldas é importante que os pais tenham paciência e estejam preparados para alguns acidentes. Se a criança se sujar, os pais devem procurar um lugar reservado para trocá-la e conversar tranquilamente sobre o assunto. Repreender pode fazer com que a criança comece a segurar suas necessidades para não levar bronca dos pais, o que pode causar complicações e criar outros problemas. 

3. Não respeitar privacidade da criança 

Mesmo crianças pequenas não devem usar o penico ou sanitário na frente de outras pessoas que não sejam os pais e cuidadores. Os pais devem evitar expô-la a essa situação em público.

4.Apressar a criança

Às vezes pode ser necessário levar a criança ao banheiro e esperar por algum tempo até que ela faça suas necessidades. Apressá-la e pedir que termine logo será frustrante para ambos e pode fazer com que as idas ao banheiro signifiquem, para os pequenos, nervosismo e tensão com os pais. Leve distrações leves para o banheiro, como livros e jogos simples para evitar o tédio e mostrar que ela pode, sim, ficar confortável com as situação.

5, esperar que a criança peça para ir ao banheiro

A partir dos dois anos, a criança começará a sinalizar que está com vontade de ir ao banheiro, mas os pais não devem colocar sobre ela toda a responsabilidade de avisar. Insista e pergunte de hora em hora se ela precisa ir ao banheiro, principalmente depois de comer ou beber.


SINAIS DE QUE ESTÁ NA HORA DO DESFRALDE

• Fica com a fralda seca por períodos mais longos, durante o dia. 

• Reclama de fraldas molhadas ou sujas. 

• Mostra curiosidade ou interesse pelo vaso sanitário ou em usar cuecas ou calcinhas. 

• Entende e obedece a "ordens" simples. 

• É capaz de abaixar as calças ou shorts 

• Tem horário para fazer cocô  e deve ser estimulada para isso,

• Avisa, com palavras, gestos ou expressões corporais que está com vontade de fazer cocô ou xixi. 

Durante o treino é importante que se demonstre o uso do sanitário e se a criança fizer na fralda, leve junto a ela o cocô para o penico ou vaso. Tenha senso de humor e atitude positiva Nada de criticas e irritações e não se esqueça de festejar as conquistas. No inicio fique ao lado da criança enquanto está usando o penico. Converse com ela, de forma descontraída.  Tente criar uma pequena rotina de sentar no penico por pouco tempo, em alguns momentos como depois de almoçar e jantar. Se a criança tem um horário para fazer cocô nas fraldas, peça para se sentar no penico próximo a esse horário.  Ao perceber o desejo da criança, leve-a ao penico. Converse sobre não usar mais fraldas e, um dia, parar de usá-las. Muitas crianças ficam confusas porque iniciam o treinamento de uso do penico e seus pais demoram a retirar a fralda. Não espere que a criança esteja uma expert em penicos para retirar sua fralda. É o oposto, retirando a fralda é que ela se tornará uma expert em penicos. 

 Se perceber que esse treinamento está sendo completamente insatisfatório e/ou que a criança resiste ou demonstra irritação, não hesite em interrompê-lo e esperar uns meses para recomeçar.  • Acidentes acontecem, estejam preparados. Encare com naturalidade e calma, sem imaginar que seja um retrocesso do seu filho. Crianças se distraem e preferem continuar a brincar do que parar para ir ao banheiro. 

 O controle dormindo ou noturno é mais demorado, podendo levar meses ou até anos, depois do controle diurno. Fazer xixi na cama, à noite, pode ser normal até por volta dos 4 anos embora muitas crianças o obtenham até os 3 anos e meio  Não compare crianças, nem mesmo irmãos, com relação à idade e velocidade do desfralde.

Se tiver duvidas e questões deixe nos comentários.

Um grande abraço e  sucesso