POR QUE CRIANÇAS PEQUENAS “FURTAM” OBJETOS??
Hoje me perguntaram sobre os motivos que levam uma criança de 4, 5, 6 anos a furtar objetos na escola, sendo que são crianças de classes favorecidas tendo materialmente tudo que necessitam. Os pais ficam desesperados, envergonhados, mas não podem tampar o sol com a peneira nem deixar de agir. Cada criança é um ser único, com sua historicidade e não podemos atribuir uma causa única para os sintomas. Mas não podemos deixar de tentar compreender o que a criança está tentando comunicar com essa ação de apropriar-se de objetos dos outros. Falta de limite, excesso de liberdade? carência afetiva, fragilidade dos limites impostos pela família, abandono? são várias as hipóteses e a história de uma criança especifica é que nos indicará o caminho a seguir. Precisamos ouvir os pais, saber da história, da biografia dessa criança. Como é o ambiente familiar, como são os laços afetivos entre as pessoas, aconteceu algo recentemente na família que pode ter aumentado o nível de tensão? nascimento de um irmão, separação do casal? Perda de algum membro familiar?
É claro que temos de levar em conta a idade da criança Uma criança de 2, 3 anos, quando quer muito algo para si, pega à força, diz “é meu” e se recusa a devolver, é uma conduta normal que expressa o desejo dela de ter algo que gostou e o fato de ainda não ter distinção do que “” é o meu, o seu”, a distinção eu e o outro. São nessas situações que o ambiente deve interferir dando essas noções para a criança mostrando que compreende o desejo dela, mas que aquele objeto não é dela. A noção de propriedade começa a ser formada a partir dos 4, 5 anos, mas até os 7 anos muitas crianças ainda não têm totalmente interiorizado, o respeito pelo outro, o que inclui separar eu e o outro, o dele e o meu. Esse relativo atraso na aquisição está ligado à cultura familiar. A partir dos 6, 7 anos as regras são estabelecidas em mantidas por um acordo social, o que já salienta a importância do meio que a criança vive pois será esse ambiente que terá de passar para a criança esse pacto social, não pegar o do outro, se pegar devolver, etc. A criança ainda é muito egocêntrica e tem dificuldades de discernir certo do errado. Muitas vezes a criança já tem a noção do que é certo e errado, o que é meu e o que não é, mas por carência afetiva quer chamar atenção sobre si, e podem furtar objetos na escola, na casa de parentes como uma expressão dessa carência e também como um pedido de atenção:" olhem para mim, vejam o que eu estou fazendo”. Como o verdadeiro objetivo não é apoderar-se de um objeto e sim receber atenção, carinho, compreensão e olhares mais atentos sobre ela, não alcançando esses objetivos os furtos podem continuar pois não preencheram os objetivos e a falta e o vazio continuam. Os furtos funcionam como uma compensação pela falta de aceitação e afeto por parte dos pais, essas situações podem ser precipitadas pelo nascimento de um irmão, a separação dos pais, novo casamento de um dos pais, saída de casa de algum membro com quem era muito ligada (baba, avos, irmã) e se sente desamparada, e com o sentimento que lhe tomaram algo que ela precisava e sente que o mundo está em débito com ela.
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